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"Por
que procurais entre os mortos Aquele que está vivo? Ele não
está aqui ressuscitou! Lembrai-vos de como vos falou, quando
ainda estava na Galileia: 'É preciso que o Filho do Homem
seja entregue às mãos dos pecadores, seja crucificado,
e ressuscite ao terceiro dia"' (Lc 24,5b-7).
Nas
palavras dos "dois homens com vestes fulgurantes" a Maria
Madalena, Joana e Maria mãe de Tiago, que foram ao túmulo
de Jesus, levando aromas e perfumes, encontra-se resumida a mensagem
do grande mistério que a Igreja celebra durante o Tríduo
Pascal e que culmina com a proclamação da Páscoa
na celebração da Vigília: "Eu vos anuncio
uma grande alegria, o Cristo Ressuscitou, Aleluia"! As mulheres
acreditaram e foram, imediatamente, dar a notícia aos apóstolos
e estes, por sua vez, aos que iam encontrando. Nisto, consiste a
missão da Igreja, em todos os tempos: proclamar o kerígma,
a boa notícia da salvação.
É
a Páscoa de Jesus! Com Ele, somos chamados a fazer a experiência
da vitória sobre a morte. No batismo, mergulhamos com Cristo
na morte e, com Ele, ressurgimos para uma vida nova. A água
batismal, presente na liturgia da vigília pascal, é
o sinal do sacramento que deixa em nosso ser uma marca indelével
e nos torna, definitivamente, seguidores de Jesus. Como podemos
alimentar sentimentos de tristeza e temor, quando sabemos que fomos
resgatados pelo amoroso sacrifício de Jesus Cristo? É
o Espírito de Deus em nós que nos possibilita compreender
e praticar a transformação operada em nossa vida,
fazendo, de cada um de nós, privilegiado discípulo
do Mestre e Senhor.
Nos
últimos meses, o mundo foi surpreendido com grandes catástrofes
ambientais e sociais, sobretudo, os terremotos ocorridos no Haiti
e no Chile, com perdas irreparáveis, além dos consequentes
"tsunamis" que ampliaram as tragédias. Por outro
lado, foi edificante perceber os tantos gestos de solidariedade
de todos os recantos do planeta. Oxalá essas iniciativas
continuem, independentemente de situações especiais.
São tantos os povos que, em pleno século XXI, vivem
a dura realidade da exclusão e estão sem esperança.
São as vítimas do egoísmo pecaminoso, que exclui
e aceita, sem constrangimento, a situação desumana
dos que vivem sob as marquises, na beira das estradas, escravos
do vício ou amontoados nas prisões.
Com
o Santo Padre, Papa Bento XVI, temos sofrido com os últimos
escândalos divulgados pelos meios de comunicações
sociais, motivo de "vergonha e remorso", envolvendo, contraditoriamente,
lideranças religiosas, acusadas de terem "traído
a confiança dos jovens e das famílias". Que o
tempo da Quaresma tenha contribuído para a contrição
dos pecados e os motive a acertar os passos através da verdadeira
observância dos "Conselhos Evangélicos".
Neste "Ano Sacerdotal", convocado para celebrar os 150
anos da páscoa definitiva de São João Maria
Vianney, procuremos meditar e aplicar as incontáveis virtudes
do pequeno/grande Cura de Ars e tomá-las como modelo de santidade.
Apesar das cruzes, é indispensável manter o otimismo
e render graças a Deus pela infinita maioria de bispos, padres,
diáconos, religiosos e religiosas, que edificam a Igreja
por uma vida digna e exemplar.
Vivemos
tempos novos em nossa Arquidiocese de Olinda e Recife. A Assembleia
Arquidiocesana de Pastoral, realizada no início da Quaresma,
aponta-nos caminhos seguros de organização e ação
missionária. Pela incansável disponibilidade para
o serviço ao irmão, através dos movimentos,
pastorais e associações, agora articulados nas dez
"Comissões Arquidiocesanas de Pastorais". Procuremos
fazer a nossa parte, colaborando para uma dinâmica e renovada
inserção eclesial, iluminados, especialmente, pela
V Conferência de Aparecida.
Que
a alegria da Páscoa nos motive à fraternidade e partilha.
O grande Bento de Núrsia, depois de passar alguns anos de
vida eremítica, nas montanhas de Subiaco, recebeu, certa
vez, a visita de um monge. São Gregório Magno, biógrafo
de São Bento, conta no livro dos "Diálogos"
que este monge justificou sua visita, afirmando ser dia de Páscoa,
e trouxe uma refeição para ser partilhada. Bento respondeu:
"Eu sei que hoje é Páscoa porque você está
aqui". Todo encontro fraterno, onde é sensível
a presença daquele que disse "onde dois ou três
estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles"
(Mt 18,20), proporciona uma renovadora experiência pascal.
Diante
dos tantos desafios dos tempos modernos, a Igreja nos convida a
crescer na unidade e fraternidade, pois, somente assim, poderemos
anunciar a esperança, fruto da prática libertadora
do Evangelho. Fomos chamados de formas diferentes e para missões
diversas. Todos, porém, temos em comum, a tarefa de viver
e levar as pessoas a praticar o AMOR, essência da mensagem
cristã. A Páscoa não pode se tornar rotina,
mas uma experiência sempre nova, que se atualiza e renova
a cada ano.
Não
será possível experimentar a partilha que a Páscoa
nos sugere, sem um olhar de misericórdia e solidariedade
para com os nossos irmãos e irmãs mais necessitados.
Que a nossa caridade pastoral nos conduza, sobretudo, ao encontro
dos pobres, para que todos se sintam autênticos filhos e filhas
de Deus, amados e respeitados pelos seus legítimos irmãos
e irmãs. E, quando nos aproximarmos da verdadeira igualdade
social, teremos, em plenitude, o tempo da alegria que provém
da ressurreição de Jesus Cristo.
Feliz
e Santa Páscoa (2010)!
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