PALAVRAS
DE ABERTURA DA ASSEMBLÉIA ARQUIDIOCESANA DE
PASTORAL
DOM
JOSÉ CARDOSO SOBRINHO
Arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife
Nos
passados dias 15 e 16 de outubro, realizou-se, na sede
da Cúria Metropolitana, mais uma Assembléia
Arquidiocesana de Pastoral, sob a presidência
do Arcebispo Dom José Cardoso.
Em sua alocução de abertura, Dom José
agradeceu a presença do Arcebispo emérito
de Maceió, Dom Edvaldo Gonçalves do Amaral,
que reside em Recife e tem oferecido uma preciosa colaboração
nas atividades pastorais da Arquidiocese. Saudou, em
seguida, todos os participantes da assembléia:
sacerdotes, diáconos, religiosos e leigos, representantes
de todos os setores e paróquias. Invocou especialmente
a presença espiritual da Doutora da Igreja, Santa
Teresa d'Ávila, em cuja festa litúrgica
estava sendo inaugurada a assembléia.
Comentando o tema da assembléia - "QUEREMOS
VER JESUS" - o Arcebispo pôs em evidência
o nexo existente entre este tema e as diretrizes apresentadas
pelo Papa João Paulo II a toda a Igreja na Carta
Apostólica "NOVO MILLENNIO INEUNTE"."O
legado do grande jubileu do ano 2000 - diz o Papa na
NMI - foi o encontro com Cristo". Já se
percebe a grande coincidência com o nosso tema:
"Queremos ver Jesus". Como aqueles peregrinos
gregos que "queriam ver Jesus", assim também
os homens do nosso tempo, mesmo sem se darem conta,
desejam ver Jesus, pedem aos crentes de hoje que lhes
falem de Cristo. Dirigindo-se especificamente aos sacerdotes,
em sua segunda visita ao Brasil, o Santo Padre proferiu
estas palavras: "Olhai à vossa volta! Não
percebeis o imenso clamor de tantos homens e mulheres,
de todas as condições, de todas as raças,
de todas as idades que, hoje mais do que nunca, parecem
dizer-nos, mesmo quando não formulam explicitamente
esse desejo: queremos ver Jesus! (Jo 12, 21). Queremos
ver Jesus na pessoa e na vida dos seus sacerdotes!...Queremos
ver Jesus! Os homens têm necessidade de ver, em
primeiro lugar, a santidade de Cristo refletida nos
sacerdotes. O Brasil, o mundo inteiro, precisa de sacerdotes
santos, fiéis a sua plena consagração
a Deus, e totalmente entregues a sua missão peculiar.
Sacerdotes cujo único objetivo seja cumprir a
vontade do Pai e completar sua obra (Cf. Jô 4,34),
dispostos a gastar sua vida, com uma caridade pastoral
sem limites, na função de mediação
que lhes é própria: levar os homens para
Deus, e levar Deus aos homens. Sacerdotes que manifestem
a imensa riqueza do amor de Deus, a única resposta
às ânsias de infinito do coração
humano, pela alegria com que lhe entregam o coração
indiviso (Cf. 1Cor 7,32-34)".
Conforme o pensamento do Papa, expresso na Exortação
Apostólica PASTORES DABO VOBIS, todo sacerdote
é como que um sacramento da presença de
Cristo; ou seja, ao encontrar um padre, todo fiel deve
ter a impressão de estar encontrando o próprio
Cristo.
No capítulo terceiro da NMI o Papa faz um apelo
às Igrejas Particulares para aprofundarem suas
programações pastorais, estabelecendo
linhas programáticas concretas. É o que
desejamos fazer nesta Assembléia. Surpreendendo
o mundo inteiro, o Santo Padre faz uma referência
explícita à vocação universal
para a santidade: "Não hesito em afirmar
que o horizonte para o qual deve tender todo o caminho
pastoral é a santidade. Faz referência
à doutrina do Concílio no capítulo
5 da Lumen Gentium: "Vocação Universal
à santidade", e diz: "é hora
de propor a todos esta medida alta, isto é, a
santidade na vida cristã ordinária".
Uma boa parte da NMI é dedicada à exposição
dos meios eficazes para alcançar a santidade,
que são simultaneamente, meios de evangelização:
a oração, os sacramentos da reconciliação
e da Eucaristia, o primado da graça, a escuta
e o anúncio da Palavra. Em menos de dois anos,
foram promulgados três importantes documentos
sobre a Eucaristia: a encíclica ECCLESIA DE EUCHARISTIA,
a Instrução REDEMPTIONIS SACRAMENTUM e
a Carta Apostólica MANE NOBISCUM DOMINE. Na programação
pastoral da nossa Arquidiocese, devem ser estudados
estes três documentos, particularmente na programação
do "Ano Eucarístico" prescrito pela
Papa para todas as dioceses do mundo.
CONSIDERAÇÕES INICIAIS E ENCAMINHAMENTOS
PE. JOSÉ ALBÉRICO

1a.
Palavra
1. Relembrando:
1.1 A cada quatro anos, desde as últimas décadas,
a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil),
atenta aos sinais dos tempos e aos desafios que surgem,
elabora as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora
da Igreja no Brasil (DGAE). São diretrizes no
sentido de metas, caminhos e objetivos a serem alcançados
ao longo do quadriênio, no conjunto da ação
global da Igreja. O que deseja a Igreja é, periodicamente,
lançar um olhar sobre a realidade da vida do
povo brasileiro, avaliar sua ação evangelizadora
e formular seus projetos pastorais.
1.2 O Projeto Nacional de Evangelização
- Queremos ver Jesus, Caminho, Verdade e Vida -para
o período de 2004 a 2007, é a operacionalização
das DGAE, 2003-2006 (documento 71 da CNBB), uma forma
concreta de implementar o Objetivo Geral da Ação
Evangelizadora da Igreja no Brasil, servindo como setas
que apontam caminhos, vindo iluminar as atividades evangelizadoras
já existentes; trazendo instrumentos para que
as realidades possam fazer parte do processo de Evangelização.
1.3 Para melhor descobrirmos a espiritualidade deste
Projeto de Evangelização, temos que ir
a seu nome: Queremos ver Jesus, Caminho, Verdade e Vida.
É Jesus Cristo o foco maior e principal. Deste
foco decorrerão:
a) O objetivo específico: "Anunciar o Evangelho
de Jesus Cristo, sua pessoa, vida, morte e ressurreição
para proporcionar o ENCONTRO PESSOAL com Cristo, na
comunidade, e ajudar a cada pessoa na adesão
a Ele e no compromisso de segui-lo, realizando a tarefa
missionária por Ele confiada à Igreja".
b) Os objetivos operacionais:
1º)Ter no "encontro pessoal com Cristo vivo"
a centralidade e a tônica de toda ação
evangelizadora;
2º)Ganhar força profética e mística
para a Igreja, na vida dos evangelizadores e dos destinatários
da evangelização;
3º) Fazer dos serviços da Palavra, da Liturgia
e da Caridade o horizonte permanente da ação
evangelizadora;
4º) Enfrentar os desafios que o terceiro milênio
põe à ação evangelizadora,
de modo a garantir a promoção e a dignidade
da pessoa, a renovação da comunidade e
a participação na construção
da sociedade justa e solidária.
2.
As fases do Projeto:
1ª) fase (2004):
o Sensibilização;
o Levantamento e avaliação da situação
real dos serviços eclesiais (PALAVRA, LITURGIA
e CARIDADE), diante do objetivo especifico e dos quatro
objetivos operacionais do Projeto.
o Definir prioridades de ação.
2ª)
fase (2005-2006):
o Elaboração e execução
de projetos;
o Formação básica, treinamento
e formação na ação;
o Acompanhamento permanente, avaliação
progressiva e correções de rumo.
3ª)
fase (2007):
o Avaliação de resultados.
3.
O que pretendemos desta Assembléia de Pastoral:
Esta Assembléia Arquidiocesana de Pastoral, neste
final de 2004, tendo como objetivo específico
a operacionalização do Projeto Nacional
de Evangelização, Queremos Ver Jesus -
Caminho, Verdade e Vida, sem deixar de lado os propósitos
assumidos na última assembléia:
a) Fortalecer os Setores Paroquiais;
b) Animar as Paróquias para uma articulação
interna e setorial mais consistente;
c) Ampliar a comunhão e a participação
em todos os níveis e com todas as forças
vivas existentes na Arquidiocese: Presbíteros
e Diáconos, Religiosas e Religiosos, Pastorais,
Movimentos, Associações, Comunidades de
Vida, Serviços Eclesiais, etc.
Quanto
à sensibilização parece que andamos
bem. Tem havido, de vários modos, boa divulgação.
Claro que precisamos continuar divulgando cada vez mais
e de todas as maneiras possíveis, sobretudo não
se restringir à divulgação do nome
apenas, mas junto a ele o objetivo específico
do Projeto. É bom ter bem claro que sensibilizar
não é apenas fazer saber intelectualmente,
é assumir o Projeto, como Igreja que somos.
O
segundo passo da 1ª fase é importantíssimo.
É com ele que queremos trabalhar nesta Assembléia.
O que vamos fazer aqui é treinar o que devemos
realizar em nossos Grupos, Movimentos, Pastorais, Comunidades
e Paróquias.
Está na hora de fazermos o levantamento do que
estamos fazendo para evangelizar e como estamos fazendo
a nossa evangelização e aí termos
a coragem e a disposição para avaliarmos
o que fazemos e o como fazemos à luz do objetivo
específico do Projeto.
Aqui na Assembléia, vamos nos reunir por Setores
Paroquiais. Faremos catorze grupos. São catorze
setores paroquiais que compõem nossa Arquidiocese
com suas noventa e nove paróquias. Não
podem faltar aqueles propósitos assumidos na
última Assembléia: articulação,
comunhão e formação. Nas nossas
realidades pastorais vamos nos encontrar, como já
nos encontramos, nos nossos Grupos, Movimentos, Pastorais,
Conselhos, Setor..., querendo sempre avaliar o que e
como fazemos diante do objetivo do Projeto, ou seja,
se o que fazemos e como fazemos está nos ajudando,
a nós e aos que recebem nossos serviços
eclesiais, a um encontro pessoal com o Senhor Jesus?
Ou se ainda há empecilhos, atrapalhos, por conta
do nosso jeito de anunciar Jesus?
Pe.
José Albérico Bezerra de Almeida
Presbítero da Arquidiocese de Olinda e Recife
PALAVRAS
DE DOM FERNANDO SABURIDO

Durante
a Assembléia Arquidiocesana, o Bispo Auxiliar,
Dom Fernando Saburido, recordou a 39a Assembléia
de Pastoral da CNBB-Regional NE2, realizada entre os
dias 28/09 e 01/10/2004.
Lembrou a reflexão do Assessor - Pe. Valdeir
dos Santos Goulart - sobre a importância de se
elaborar uma Pastoral de Conjunto, visando:
- Renovação de Igreja, no Brasil, conforme
a imagem do Vaticano II;
- Criação de meios e condições
para tal renovação. A renovação
é, antes de tudo, dom de Deus, garantido indefectivelmente
à sua Igreja, e livre resposta do homem;
- O tempo para esta renovação: o mais
rápido possível;
- A renovação deve ser continuada.
SOBRE
O PROJETO "QUEREMOS VER JESUS"
O
novo Projeto tem como finalidade central renovar a consciência
da identidade e da missão da Igreja no Brasil,
num contexto de rápida mudança, que questiona
muitas das formas de existir e de agir das comunidades
eclesiais e de cada cristão.
Portanto, ele se volta - como as primeiras comunidades,
conforme o testemunho dos Atos dos Apóstolos
- em primeiro lugar para a evangelização,
procurando a docilidade ao Espírito e o discernimento
dos sinais de sua vontade, que aponta os caminhos aos
anunciadores do Evangelho de Jesus Cristo.
Ao mesmo tempo, cuida de manter viva e perseverante
a fidelidade das comunidades eclesiais "ao ensinamento
dos Apóstolos, à comunhão fraterna,
à Eucaristia e às orações".
Dom Fernando também expôs as repostas dos
grupos à pergunta: "Que sugestões
temos para qualificar melhor NOSSAS ATIVIDADES PASTORAIS,
a fim de possibilitar às pessoas um encontro
pessoal com Jesus Cristo?":
a) Realização das Santas Missões
populares, com o envolvimento de toda paróquia.
b) Intercâmbio entre as pastorais, movimentos
e serviços na paróquia e entre as paróquias.
c) Os padres priorizarem um tempo para as visitas.
d) Urgência de uma formação que
use uma metodologia atrativa e que esteja alicerçada
na realidade.
e) Buscar responder aos desafios apresentados pela urbanização.
f) Insistir na pastoral de conjunto.
g) Investir e fortalecer a criação de
círculos bíblicos e de comunidades eclesiais
de base.
h) Buscar vivenciar uma liturgia inculturada, reveladora
de nossa ação profética.
i) Discutir melhor sobre a pastoral da acolhida, escuta
e da visitação.
j) Redistribuir os agentes de pastoral a fim de atingir
melhor as "áreas novas".
l) Valorização do trabalho da mulher.
DESTAQUES DA PESQUISA CERIS-CNBB-INP 1999 / 2002
PARA A ASSEMBLÉIA ARQUIDIOCESANA DE PASTORAL
2004
FONTE: CERIS - CENTRO DE ESTATÍSTICA RELIGIOSA
E INVESTIGAÇÕES SOCIAIS
Por Gustavo Castro - da Equipe de Coordenação
Pastoral
Introdução
1. Do Concílio Vaticano II: "Para levar
a cabo esta (sua) missão, é dever da Igreja
investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e
interpretá-los à luz do Evangelho; para
que assim possa responder, de modo adaptado a cada geração,
às eternas perguntas dos homens..." (GS
4); "... de modo que a Verdade revelada possa ser
cada vez mais intimamente percebida, melhor compreendida
e apresentada de um modo mais conveniente" (GS
44).
2. Da Carta Apostólica "Novo Millennio Ineunte",
do Papa João Paulo II: "A Igreja, anos depois
do Concílio Vaticano II é convidada a
interrogar-se sobre sua renovação para
assumir com novo impulso sua missão evangelizadora"
(NMI 2).
3. O Papa João Paulo II quer uma Igreja missionária,
eficaz, capaz de responder aos desafios de cada época.
A "eficácia", uma palavra insistentemente
utilizada pelo Papa na citada Exortação.
4. O Projeto Nacional de Evangelização
"Queremos Ver Jesus - Caminho, Verdade e Vida"
é diferente dos anteriores, voltados mais para
a formação dos fiéis. O atual Projeto
busca a "eficácia" da referida Exortação
do Papa.
5. Por isso a CNBB parte de uma análise da realidade
geral e de algumas Regiões Metropolitanas brasileiras:
do Censo de 2000 do IBGE e de dados desta Pesquisa encomendada
(1999-2002).
Não se apresentará aqui a Pesquisa CERIS
em sua integralidade, por falta de tempo e também
porque aqui para este momento bastarão alguns
destaques, para trazer ao nosso espírito e aos
nossos trabalhos alguns elementos presentes no dia a
dia de nossas comunidades, mas que, muitas vezes, não
aparecem como tal, porque diluídos num cotidiano
tido como "conhecido".
I
- A população católica brasileira
- uma involução numérica: dados
estatísticos.
(DGAE 2004-2006: 56ss)
- Em apenas 9 anos, houve uma diminuição
da percentagem dos cristãos católicos,
de 83,3% (1991) para 73,9% (2000); antes, igual queda
percentual de dez pontos só ocorreu em 90 anos.
- Em igual tempo (1991-2000), os evangélicos
cresceram de 9,0% (1991) para 15,6% (2000).
- Um detalhe: em 1994, pesquisa entre os eleitores deu
uma média mais baixa de católicos em cidades
como SP (65,2%), RJ (59,3%) e SSA (65,3%). E o CERIS
no início da pesquisa obteve o baixo índice
de 67% nas Regiões Metropolitanas.
Constata-se, pois, a evasão de católicos
em 14%, entre o Censo 1980 e o de 2000.
II
- DESTAQUES DO RESULTADO DA PESQUISA (predominaram classes
C+D+E)
· Considera-se nesta Pesquisa CERIS a real e
preocupante situação do povo católico
em suas práticas, opiniões e motivações.
2. Para ajudar-nos no estudo de nossa realidade, apresentar-se-ão,
aqui alguns destaques dos dados referentes particularmente
à nossa Arquidiocese (RMR):
a) Apenas 13,1% dos católicos na RMR afirma que
sua 1ª motivação de crer é
"porque sente Deus próximo", ficando
os demais percentuais distribuídos em respostas
genéricas do tipo:
· realização de um sentido de vida
e encontro de justiça e paz e harmonia pela religião......34,9%
· por influência do ambiente familiar e
tradição.................................................................28,1%
· por devoção a um santo e a Maria.................................................................................
5,9%
· e outros com menos de..................................................................................................
5,0%
b) opinião dos católicos sobre os sacramentos,
na Arquidiocese:
· O Batismo:
- (1) é fundamental: apenas 38,4% dos católicos
- (2) é importante: 26,5%.....(1+2) Total: 64,9%
- (3) não vejo importância: ....32,3% dos
católicos
- (4) é pouco importante: 2,9%....(3+4) Total:
35,2%
OBS: - Porto Alegre e Recife são as regiões
brasileiras que apresentaram maior índice de
católicos que não vêem importância
do sacramento do Batismo.
· A Confissão:
- (1) é fundamental: apenas 22,5% dos católicos
- (2) é importante: 28,1%..................(1+2)
Total: 50,6%
- (3) não vejo importância: ..........39,3%
dos católicos
- (4) é pouco importante: 10,1%.......(3+4) Total:
49,4%
OBS: - Igualmente Porto Alegre e Recife são as
regiões onde os católicos menos valorizam
a Confissão sacramental.
c)
Opinião dos católicos referente à
conduta moral e orientação ético-religiosas
dos católicos:
· Sexo antes do casamento: na AOR 52,4% são
a favor (max. REC e POA); e 84% acha que a Igreja não
deveria se envolver nisso, debater sim, orientar sim,
mas sem impor sua visão...
· Métodos contraceptivos artificiais:
68,8% dos católicos da AOR são a favor;
detalhe, apenas 11,9% admite que a Igreja deveria impor
sua visão sobre o assunto.
· O divórcio: apesar da clareza de posição
do Magistério, para a maioria dos católicos
brasileiros (59,4%) a doutrina oficial não serve
de norma moral. No Recife a situação é
ainda pior, 69,9% é a favor do divórcio!
E apenas 15,3% são contra o mesmo. Além
disso, 82,0% entende que a Igreja Católica não
deveria impor sua visão sobre o divórcio,
nem se envolver no assunto.
· Sobre o 2º casamento (com cônjuge
vivo): 71,0% é a favor do 2° casamento; apenas
15,3% dos arquidiocesanos é contra um 2°
casamento; 85,8% acha que ela não deveria se
envolver nisto, que ela poderia debater mas sem impor
sua visão.Apenas 7,6% aceita a Igreja não
admitir o 2º casamento.
· Celibato sacerdotal e religioso: opiniões
divididas, 33,1% a favor e 34,5% contra, 16,8% indiferente.
· Estão divididas as opiniões sobre
as posições da Igreja referentes à
eutanásia, pena de morte, adultério e
manipulação genética.
· E, 88,11% dos católicos da Arquidiocese
não sabe porque um católico deixa a Igreja
e migra para outras religiões.
Bastam esses dados de uma pesquisa muito ampla para
já nos indicar que precisa-se mesmo parar para
avaliar tudo o que se faz, o como se faz, e a eficácia
de tudo.
Bibliografia: Coleção CERIS. Desafios
do Catolicismo na Cidade - Pesquisa em Regiões
Metropolitanas Brasileiras. Edit. Paulus, São
Paulo, 2002.
Revista PUC-RIO. Estudos sobre a Pesquisa CERIS 2002.*
Os
trabalhos da Assembléia foram organizados e divididos
por Setores Paroquiais. A cada Setor foram propostos
trabalhos conforme a seguinte orientação:
Coordenadores Setoriais: Reunir o Setor, "dividir
em três sub-grupos conforme os modos de serviço
eclesial (Palavra, Liturgia, Caridade). O que fazer:
1o. Momento: Levantar o que se faz, periodicidade, responsabilidade,
etc. Explicitar o modo como se desenvolve o que se faz...
2o. Momento: Confrontar o que e o como diante do objeto
específico do Projeto: "Anunciar o Evangelho
de Jesus Cristo, sua Pessoa, vida morte e ressurreição
para proporcionar o encontro pessoal com Cristo e ajudar
a pessoa na adesão a Ele, na Comunidade, e no
compromisso de segui-Lo na tarefa missionária
por Ele confiada". EA 8-12; DGAE 69.93)
Ao término dos trabalhos, os resultados dos 14
Setores foram sintetizados para viabilizar sua apresentação
à Plenária da Assembléia, cujo
teor aqui se transcreve:
Após a apresentação, o Assessor
comentou resultados e sugeriu encaminhamentos para dar
seqüência à Assembléia.
SÍNTESE
DOS TRABALHOS NOS SETORES

MINISTÉRIO
DA PALAVRA
O que fazemos
Formação:
* Círculos Bíblicos
* Curso Bíblico
* Escola Teológica
* Escolas da Fé
* Mês da Bíblia
* Caminhada bíblica
* Cursos de evangelização
* Encontros de formação para missionários
e animadores
* Formação permanente de catequistas
* Encontros com os subsídios do PQVJ da CNBB
Catequese:
* Catecumenato de adultos
* Catequese sacramental
* Encenações
* Encontros de pais e padrinhos
* Batismo explicado
* Catequese exequial
Evangelização:
* De casa em casa
* Resgatar os batizados que não participam da
Igreja
* Visitas hospitalares
* Campanha da fraternidade em família
* Mês de maio
* Programas radiofônicos
* Terço dos homens, dos jovens e em família
* Ofício de Nossa Senhora
* Semana Santa
* Culto ecumênico
MINISTÉRIO
DA CARIDADE
O que fazemos
Assistência à criança:
* Creches (Pró-criança)
* Enquanto as mães trabalham
Natal dos vicentinos: (cestas básicas)
Formação a crianças e jovens: (centros
comunitários de formação profissionalizante)
Participação nos Conselhos:
* Educação / * Tutelar / * Paz
Assistência jurídica: (pequenas causas)
Assistência à família dos presidiários:
Pastoral da sobriedade: (Alcoólicos Anônimos
- Fazenda Esperança)
Distribuição: Kits sopa e enxovais para
crianças
Alfabetização de adultos:
Medicina Alternativa:
Apoio aos hansenianos:
Participação no Comitê da Cidadania:
* Nas periferias
* Fóruns de discussão para o resgate da
cidadania, ética e evangelização
MINISTÉRIO
DA LITURGIA
O que fazemos
Celebrações: Eucaristia, da Palavra, dos
Sacramentos, de Nossa Senhora, dos Santos, das Exéquias
Formação: Leitores, salmistas, comentaristas,
cantores, acólitos, ministros extraordinários
da Comunhão
Liturgia inculturada: Adoração ao Santíssimo:
(fora da Missa)
PAINEL
DE EXPERIÊNCIAS PASTORAIS

I
- Paróquia de São Lourenço Mártir
Na experiência da Paróquia foram destacados
o Ministério da Visitação, a Pastoral
da Juventude com a implantação do Encontro
de Jovens com Cristo e o Encontro anual da Juventude
(realizado no domingo dedicado à festa da Santíssima
Trindade).
A partir dessas iniciativas a pastoral da juventude
conta com:
11 grupos de jovens
Legião de Maria
Movimento Eucarístico Jovem (MEJ)
Juventude Missionária
II
- Setor Olinda - expositor Padre Lino Rodrigues Duarte
Composto pelas Paróquias de:
Nossa Senhora de Fátima - Bairro Novo, São
José - Casa Caiada, Nossa Senhora de Guadalupe
- Guadalupe, São Lucas - Ouro Preto, Assunção
de Maria e São Francisco - Rio Doce, São
Pedro Mártir, Nossa Senhora Aparecida - Janga
e Nossa Senhora do Ó - Pau Amarelo.
O primeiro envolvimento com o Projeto foi a participação
dos padres do Setor no Encontro promovido pelo Regional
NE II no dia 18 de março.
1º encontro do Setor
Aconteceu no dia 17 de abril onde o Padre José
Albérico apresentou o Projeto Nacional de Evangelização
"Queremos ver Jesus - Caminho, Verdade e Vida"
para aproximadamente 80 (oitenta) pessoas.
2º encontro do Setor
Com o tema "A Liturgia à luz do Projeto
<<Queremos ver Jesus - Caminho, Verdade e Vida>>",
aconteceu no dia 19 de junho no salão da Paróquia
de Nossa Senhora do Ó em Pau Amarelo e contou
com a presença de 280 fiéis.
Para orientação dos trabalhos destacamos
e refletimos cada item do "Ministério da
Liturgia" (cf. CNBB, DGAE - Diretrizes Gerais da
Ação Evangelizadora, 2003-2006, doc 71,
nn 26-36).
Para motivar o trabalho dos grupos, criamos alguns questionamentos
a partir da aclamação do povo: "Ele
está no meio de nós".
a - Será que esta afirmação realmente
acontece?
b - Nas nossas liturgias temos a certeza da presença
de Jesus?
c - As nossas liturgias possibilitam as pessoas ver
Jesus Cristo?
Na conclusão do trabalho dos grupos, sintetizamos
dois pontos:
1º
- uma satisfação:
O grande interesse das pessoas pelo Projeto Nacional
de Evangelização.
2º
- Algumas preocupações:
a - As coisas que são inventadas pelas pessoas.
b - O que se faz para tornar a liturgia mais animada.
c - O chamado "ministério de música"
(canta bem, toca bem, chama a atenção
e canta sozinho), assembléia celebrante não
participa dos cânticos, som ensurdecedor.
d - O padre que é jeitoso, é ele que aparece.
e - Tudo é visto menos Jesus Cristo.
f - Tudo aparece menos Jesus Cristo.
Esse
encontro também revelou uma realidade:
Na Missa dominical, a Igreja está presente, visível,
mas não se percebe o pessoal evangelizado.
Essa conclusão foi apresentada à coordenação
do Setor, resultando no encontro de formação
para as equipes paroquiais de liturgia, marcado para
o dia 06 de novembro.
Outras iniciativas:
O encontro dos componentes do Apostolado da Oração
na Paróquia Nossa Senhora de Fátima.
O encontro da Catequese na Academia, onde o Bispo auxiliar
Dom Fernando Saburido, apresentou o Projeto para aproximadamente
700 (setecentas) pessoas.
Essas
iniciativas originaram a seguinte pergunta:
Quais os resultados desses esforços ao nível
de Setor?
a - A Coordenação tem procurado incentivar
e proporcionar encontros de formação,
para atender os anseios dos fiéis.
b - Está marcada para o final de novembro uma
reunião entre a coordenação, os
padres e os representantes das paróquias.
Na última reunião recebemos o seguinte
resultado:
1º
Quais os desdobramentos do Projeto nas paróquias?
Paróquia de Rio Doce - formada comissão
para animar o Projeto.
Plano de ação já está elaborado.
Paróquia de Guadalupe - realizou curso sobre
o Projeto
Catequese do Crisma está sendo realizada a luz
do Projeto.
Paróquia de Casa Caiada - curso sobre o Projeto
Estudo e reflexão sobre o Projeto em todas as
pastorais
Avaliação semanal.
Paróquia Nossa Senhora de Fátima - em
Assembléia paroquial foi criado o Projeto Vila
Esperança.
Situando:
Vila Esperança é uma área pobre
da Paróquia, difícil e problemática,
com alto índice de violência e de miséria.
Em que consiste:
As pastorais assumiram o compromisso a partir da Assembléia,
além das atividades normais, participar do trabalho
missionário na área do Projeto Vila Esperança.
Apesar das dificuldades a Pastoral da Saúde,
a Pastoral Familiar e a Pastoral da Oração
realizaram alguns encontros para sensibilização
do Projeto.
Finalmente, o Setor tem procurado insistir principalmente
na Pastoral de Conjunto, por acreditar que o ponto fraco,
a fragilidade do trabalho está exatamente no
isolamento, onde cada um faz do seu jeito, no seu canto,
da maneira que é mais bonita ou mais interessante.
Portanto à medida que as pessoas vão entendendo,
também vão assumindo o Projeto que tem
como meta - "a santidade, sinônimo da plena
realização humana" (cf. CNBB - Projeto
Nacional de Evangelização 2004-2007, doc.
72, n 1.1, p. 15) e como desafio - "fazer a comunidade
eclesial crescer na comunhão, alimentada pela
Palavra de Deus, pela oração e pelos sacramentos,
tendo em vista a superação de todo individualismo,
o enfraquecimento da família e a vida comunitária"(ibdem
1.2).
É assim que estamos caminhando no Setor Olinda.
III
- Pastoral Universitária - apresentação
Padre Jaime
Dentro da Pastoral Urbana realizam-se alguns trabalhos
pastorais fora da estrutura paroquial, como é
o caso da Pastoral da Universidade que está ligada
a ASBEC - Associação Brasileira das Escolas
Superiores Católicas, que tem como presidente
o Padre Peters, Reitor da UNICAP e participa no Conselho
Pastoral do Regional NE II.
A pastoral da UNICAP é uma das mais desenvolvidas
entre várias faculdades, conta com um corpo de
funcionários para realização dos
trabalhos pastorais com os alunos.
No eixo celebrativo oferece diariamente às 18
horas, uma Missa com bastante esmero litúrgico.
A equipe reúne-se às terças-feiras
para aprofundar o estudo teórico da Liturgia.
Na dimensão da caridade, além do envolvimento
com a Campanha da Fraternidade destacaria o voluntariado,
onde cerca de quarenta alunos colocaram-se a serviço
dos mais pobres, exercitando um olhar de compaixão
para serem profissionais com maior senso de justiça.
Trabalham, sobretudo com a música junto às
crianças portadoras de câncer, ou nos grupos
de ronda noturna, atendendo os moradores de rua.
Acompanhamento do mutirão de construção
de casas populares, em parceria com a Prefeitura.
O Projeto "Queremos ver Jesus - Caminho, Verdade
e Vida" e a UNICAP
Sempre procuramos seguir as orientações
da CNBB através dos vários documentos,
os quais estudamos nas reuniões das equipes às
segundas-feiras à tarde.
Últimos documentos estudados:
69 - Exigências Evangelizadoras e Éticas
de Superação da Miséria e da Fome.
71 - Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora
2003-2006.
72 - Projeto Nacional de Evangelização
(2004-2007).
Portanto tratamos primeiro da formação
dos agentes para que através das atividades desenvolvidas
possam transmitir a mensagem do Projeto "Queremos
ver Jesus - Caminho, Verdade e Vida", que é
um dom da Igreja no Brasil.
ENCAMINHAMENTOS
FINAIS

1º)
Que o centro da Evangelização seja Jesus
Cris-to;
2º) Que todo trabalho de evangelização
deve pro-porcionar ao Evangelizando um encontro pesso-al
com Jesus Cristo, vivo;
3º) Que evangelizar, na Igreja do Brasil, de 2004
a 2007, só se faça no espírito
do Projeto Nacio-nal de Evangelização
- Queremos ver Jesus, Caminho, Verdade e Vida ;
4º) Que precisamos, ainda, continuar divulgando
o Projeto, não apenas o seu nome, mas o seu espírito,
junto às pessoas que freqüentam nossas igrejas;
5º) Que este Projeto não está nos
pedindo mais trabalho, nem muito menos, mais reuniões;
6º) Que se faz necessário avaliar, com coragem
e espírito de conversão, o que fazemos
e como fazemos à luz do objetivo específico
do Projeto;
7º) Que a avaliação, corajosa e com
espírito de conversão, leve-nos a definir
uma prioridade para a ação;
8º) Que definida a prioridade, não prioridades,
devemos descobrir pistas de ação simples
que realmente estejam ao nosso alcance;
9º) Que o trabalho evangelizador leve a formar
discípulos e discípulas de Jesus, que
se descobrirão enviados e enviadas, pelo próprio
Jesus, à missão;
10º) Que vamos continuar, agora com ajuda do Projeto,
alimentando a espiritualidade da Comunhão em
todos os níveis, tanto interna quanto externamente,
desejando que "a Igreja seja a casa e escola da
comunhão".
Pe.
José Albérico Bezerra de Almeida
Presbítero da Arquidiocese de Olinda e Recife
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