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Home > Assembléia Arquidiocesana de Pastoral 2003

ASSEMBLÉIA ARQUIDIOCESANA DE PASTORAL - 2003

 

28 E 29 DE NOVEMBRO DE 2003

A Assembléia Arquidiocesana de Pastoral reuniu-se nos dias 28 e 29 de novembro, na Cúria Metropolitana, com assessoria do Padre Cláudio Sartori, sob coordenação do Pe. José Albérico Bezerra de Almeida. Teve a seguinte participação:

PARTICIPANTES

Arcebispo, Bispo Auxiliar, Arcebispo Emérito de Maceió, Vigários Gerais e Equipe de Coordenação Pastoral
Diáconos: 07
Candidatos a Diáconos: 05
Presbíteros: 92
Congregações Religiosas: 17
Pastorais: 10
Serviços: 2
Paróquias: 86
Movimentos: 4
Comunidades de Vida: 7
Associações: 4

PREPARAÇÃO DA ASSEMBLÉIA

A Assembléia é um importante momento pastoral e implanta um novo clima de renovação espiritual, originário de:
1 - Basicamente, de dois importantes documentos do Santo Padre João Paulo II:
- a Carta Apostólica "Novo Millennio Ineunte" (Sobre o ingresso no Novo Milênio), de 6/1/2001;e
- a Exortação Apostólica Pós-Sinodal "Ecclesia in América" ( Sobre a Igreja na América" ), de 18/1/2001.

O Papa não deixa de insistir sobre as posições Conciliares do Vaticano II.
2 - As análises e posicionamentos contidos nas novas "Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil - 2003 - 2006" (Doc. CNBB 71).
3 - Os resultados da Pesquisa do CERIS-CNBB (aplicada no Recife com a colaboração da UNICAP).
4 - As novas articulações entre a Equipe de Coordenação Pastoral e os 14 Coordenadores dos Setores Paroquiais, em função do encaminhamento desta Assembléia.
5 - E, finalmente, do Projeto Nacional de Evangelização (2004-2007), intitulado "Queremos ver Jesus !".

Com tudo isto em mente, a Equipe de Coordenação começou a preparar esta Assembléia através de passos articuladores de todos esses elementos, fundamentada na certeza de que "a retomada pastoral deve ser uma obra que toca a todos" (NMI 29).

Foram os seguintes os passos dados:
1) Estudo da Pesquisa CERIS-CNBB sobre a realidade eclesial desta Arquidiocese, em três Reuniões do Clero.
2) Trabalho de divulgação e estudo das novas Diretrizes da CNBB 2003-2006, em reuniões distintas: com o Clero (15/6); com representantes de Paróquias e Pastorais (23/8); com representantes de Movimentos, Associações, Comunidades de Vida, e Serviços (1°/10); e com representantes das Casas Religiosas e Congregações (25/10).
3) Orientações do Bispo Auxiliar ao Clero (junho) sobre as assembléias paroquiais e setoriais; para aguardar o resultado da Assembléia Regional de Pastoral, etc.
4) Carta convocatória do Arcebispo, com a definição dos objetivos da Assembléia, seus participantes, etc., e encaminhando a todos um questionário.
5) Reuniões da Equipe de Coordenação Pastoral com os padres Coordenadores dos 14 Setores Paroquiais.
6) Reunião extraordinária do Clero (21/10): principal ponto de pauta, a preparação da Assembléia. E para conhecer as decisões da Assembléia Regional de Pastoral.
7) Recebidas as respostas ao questionário (10/11), reuniões dos Coordenadores Setoriais com Equipe de Coordenação Pastoral para estudo e síntese das respostas.
8) Apresentação à Reunião do Clero (18/11) das respostas, consolidadas conforme Áreas Pastorais aglutinadoras de Setores Paroquiais com realidades semelhantes.

Chegou-se à Assembléia com um bom conjunto de orientações e levantamentos, capazes de produzir uma reflexão conseqüente.

ABERTURA OFICIAL - DOM JOSÉ CARDOSO SOBRINHO

ALEGRIA DO ENCONTRO FRATERNO - "Ao entrar aqui nesta manhã, tive a impressão de estar numa festa. Estamos todos num ambiente tão bom e fraterno, que nos sentimos quase como num ambiente litúrgico, como irmãos em Cristo, desta nossa Igreja Particular de Olinda e Recife. A minha primeira palavra é de boas-vindas. Quero destacar em primeiro lugar a presença do Arcebispo emérito de Maceió, Dom Edvaldo Gonçalves do Amaral, que reside em Recife e está aqui conosco."
O Sr. Arcebispo continuou saudando a todos os demais presentes: os Vigários Gerais, todos os sacerdotes e diáconos, os religiosos e religiosas, e os leigos representantes das paróquias, pastorais, movimentos e associações. "Estamos aqui sentindo a presença de toda Arquidiocese", afirmou Dom José.

CARTA DO PAPA INSPIRA A ASSEMBLÉIA - "É uma bênção de Deus, é uma graça, é uma celebração e nós queremos implementar o que foi dito pelo Papa João Paulo II, na sua famosa Carta Apostólica "Novo Millennio Ineunte" sobre a Igreja no início do milênio".
Continuou tratando dessa Carta Apostólica, dizendo: "Eu queria apenas frisar um pensamento do Papa: "Fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão, eis o grande desafio que se apresenta para o Terceiro Milênio" (NMI 43). Este pensamento é central: fazer com que cada Igreja Particular, portanto, cada diocese seja realmente a casa e a escola da comunhão. Os primeiros instrumentos para construir a comunhão eclesial são: o Ministério Petrino, a Cúria Romana, as Conferências Episcopais; todos, responsavelmente guiados pelo Espírito Santo, devem tomar as decisões de promover o bem comum eclesial, tendo em vista as circunstâncias complexas e os desafios dos tempos.
Há ainda outros instrumentos de comunhão em cada Diocese: o Conselho Presbiteral, o Conselho Pastoral e as Assembléias. Daí a importância desta Assembléia."

A NECESSÁRIA ESPIRITUALIDADE DE COMUNHÃO - Insistiu o Sr. Arcebispo sobre a necessidade de se perceber a Assembléia como um instrumento de comunhão, dizendo: "Nós estamos aqui, portanto, para dar a nossa colaboração com entusiasmo, com sinceridade, com fé, para construir cada vez mais esta comunhão eclesial." Mas, lembrou que, "antes de enumerar os instrumentos de comunhão que existem na Igreja, que nós devemos sempre utilizar, o Papa coloca uma premissa quando diz: 'É preciso que haja, antes, uma espiritualidade de comunhão'."

Dom José leu, então, uma frase da "Novo Millennio Ineunte" (NMI 43), em que João Paulo II deixa um alerta assim: "Não haja ilusões, sem essa caminhada espiritual, de pouco servirão os instrumentos exteriores da comunhão" - "Revelar-se-iam mais como estruturas sem alma, máscaras de comunhão, do que como vias para sua expressão e crescimento" - (ib.) - seja uma Assembléia, seja um Concílio, seja um Sínodo, seja uma reunião qualquer dentro de Igreja -

Ainda no mesmo sentido, Dom José recordou a última Encíclica do Santo Padre, "Ecclesia de Eucharistia", "quando ele outra vez expôs de maneira maravilhosa estas verdades".

RECOMENDAÇÕES - Dom José pediu a todos os participantes da Assembléia, voltando depois para suas paróquias, casas religiosas, pastorais, movimentos, associações ou outros grupos eclesiais, que levassem este pensamento do Papa: "a nossa Igreja, Igreja no mundo inteiro, diocese, paróquia, não é uma organização meramente externa; nós temos vínculos internos importantíssimos que nos unem de uma maneira que nós nem podemos conhecer perfeitamente, porque é mistério de Deus". Insistiu ainda para ninguém esquecer que "vivendo a eucaristia, vivemos o momento máximo da comunhão, que nos compromete com os pobres; por isso os cristãos da Igreja Primitiva colocavam tudo em comum. Disse: "Partindo da Eucaristia sentiam a necessidade de repartir os bens materiais, 'e não havia necessitados entre eles'. Assim se faz na Igreja - "escola e casa de comunhão" - atingindo todas as dimensões da vida humana, partindo da Eucaristia, partindo desta espiritualidade de comunhão."

TER PRESENTE A REALIDADE DOS FIÉIS - "É muito importante a gente considerar esses aspectos. Ao mesmo tempo que estamos vivendo aqui esses momentos de alegria na comunhão eclesial, queremos pensar com a clarividência da fé, maneiras de levar um crescimento espiritual para tantos fiéis da nossa Arquidiocese.

"O nosso povo está muito desassistido espiritualmente. Considerem que existem lugares onde há uma Missa de três em três semanas e nem assim em dia de Domingo. E aquele povão está ali querendo manter a fé, conservar a fé, rodeados por todos os desafios, que já foram levantados por paróquias e Setores na fase de preparação desta Assembléia.

RESPONSABILIDADE DOS EVANGELIZADORES - E o Sr. Arcebispo concluiu sua fala assim: "Somos a liderança da Arquidiocese. Estamos aqui para assumir nossa responsabilidade. Temos de ter compaixão dessa multidão imensa. Sabemos que, em primeiro lugar, estão comprometidos os bispos, os padres e diáconos. Mas todos - também os religiosos e os leigos - somos evangelizadores missionários, chamados a levar o Evangelho, Jesus Cristo, a todos esses nossos irmãos. É o que espero certamente dos trabalhos desta Assembléia. Que ela alcance sua meta." *

DESAFIOS À EVANGELIZAÇÃO
Com a convocação da Assembléia foi enviado um questionário específico às paróquias e outro às pastorais, movimentos, associações e casas religiosas. Como resultado das respostas, os Coordenadores Setoriais e a Equipe de Coordenação Pastoral sintetizaram os desafios mais encontrados, para apresentação à Assembléia, em seu primeiro momento.

DESAFIOS SÓCIO-CULTURAIS
01 - O crescimento da pobreza e da exclusão em todas as Áreas Pastorais - (Área Rural e Casas Religiosa)
02 - A problemática familiar: desestruturação, várias uniões, mudança de valores - (Áreas Rural, Residencial: R 1/R3 e Casas Religiosas)
03 - Prostituição e abandono de menores, consumo alto de álcool e de drogas em geral - (Área Rural e Casas Religiosas)
04 - O desemprego, tornando indignas as condições de vida das pessoas - (Casas Religiosas)
05 - Violência e droga, na juventude - (Casas Religiosas)
06 - Crescimento da corrupção em todos os níveis - (Casas Religiosas)
07 - Contra-evangelização exercida pela mídia, sobretudo pela TV - (Área Rural, Casas Religiosas e Pastorais)
08 - Desvalorização dos sacramentos - (Casas Religiosas)

DESAFIOS DA ARTICULAÇÃO
09 - Falta de uma prioridade e de uma Pastoral de conjunto - (Área Rural e Pastorais)
10 - Falta de articulação dos setores e grupos - (Área Rural e Pastorais)
11 - Falta de integração e acolhimento das Pastorais, Movimentos e Serviços existentes nas Paróquias - (Residencial: R 1 e Pastorais)
12 - A formação está concentrada no centro do Recife - (Área Rural)
13 - Descompromisso dos católicos na ação paroquial - (Área Rural e Residencial: R 1)
14 - Número reduzido de agentes de pastoral - (Área Rural, Residencial: R 2 e Pastorais)
15 - Falta espaço físico para as reuniões da comunidade - (Área Rural)

OUTROS DESAFIOS
16 - Efetivar a Pastoral urbana sobretudo nos edifícios e condomínios - (Residencial: R 1)
17 - Falta de consciência da dimensão missionária do cristão - (Residencial: R 1/R2 e Casas Religiosas)
18 - Número reduzido de fiéis comprometidos com a ação evangelizadora da Igreja - (Residencial: R 3)
19 - Desânimo e indiferentismo do católico - (Residencial: R1/R2/R3)
20 - A falta de formação missionária em todos os níveis - (Residencial: R1/R2, Pastorais, Movimentos e Casas Religiosas).
21 - Sincretismo Religioso - (Residencial: R2)
22 - O avanço do protestantismo e a invasão das seitas - (Residencial: R1/R3 e Casas Religiosas)
23 - Desvalorização dos sacramentos - (Casas Religiosas)
24 - Organizar a pastoral do dízimo - (Residencial: R 1)

PISTAS DE AÇÃO
Criação de equipes missionárias que cheguem às famílias católicas mais afastadas - Residencial: R 3

ÁREAS
CÊNTRICA: Setor Centro
RURAL: Setores: 1. Igarassu; 2. Ipojuca; 3. Jaboatão
RESIDENCIAL
- RESIDENCIAL I / R1: 1. Setor Residencial; 2. Setor Sul Boa Viagem; 3. Setor Sul Guararapes
- RESIDENCIAL II / R2: 1. Setor Olinda; 2. Setor Centro Sul 1; 3. Setor Centro Sul 2
- RESIDENCIAL III / R 3: 1. Setor Beberibe; 2. Setor Belém; 3. Setor Morros; 4. Setor Oeste

Casas religiosas:
Filhas de Maria Auxiliadora - 03 casas
Irmãs Mercedárias
Irmãs Medianeiras da Paz
Irmãs Dorotéias
Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo

Movimentos, Pastorais e Associações:
Apostolado da Oração Pastoral da Juventude
Associação de Educação Católica de PE Pastoral Social
Movimento dos Focolares Pastoral da Saúde
Pastoral da Criança Movimento Eucarístico Jovem

Depois de apresentados os "desafios", o assessor trabalhou um pouco a natureza dos mesmos em face à grande meta da evangelização. E deu uma orientação de como trabalhar em grupo por Setores, pensando-se na Arquidiocese como um todo, para se chegar a identificar um desafio e se justificar a escolha. Sobre o desafio mais votado se trabalhará em articulação diocesana.

PLENÁRIA: ESCOLHA DO DESAFIO E PRIORIDADE

Depois do trabalho em grupos Setoriais para a escolha do desafio prioritário, foram apresentadas à Assembléia as catorze respostas. Dez respostas indicavam a necessidade de formação cristã em todos os níveis, dinamização da evangelização com uma característica missionária, formando um laicato atuante nas realidades do mundo complexo dos dias atuais; dentre essas dez respostas, três setores as matizaram indicando a família como meio de evangelização e uma outra indicando como meio dessa evangelização o fortalecimento das comunidades menores, grupos de base, etc. Apenas um Setor apresentou a importância de se cuidar mais dos atos públicos, sobretudo os tradicionais, realizados no centro da cidade, pois carecem de uma avaliação e revisão. Ainda, que à luz de uma dinamização da evangelização missionária, se devia rever igualmente uma verdadeira inflação de missas dominicais no centro, onde não há praticamente residentes, enquanto as periferias super-populosas ficam carentes de melhor atendimento.
Foi, então, declarado o desafio mais votado, referente à formação cristã, e aclamado pelo plenário.

ASSEMBLÉIA ASSUME O DESAFIO DA FORMAÇÃO CRISTÃ COMO PRIORIDADE

Eis a sua formulação: "Articular toda a Arquidiocese a partir da formação humana e cristã, que dinamize a evangelização missionária".


2º DIA - PALAVRA DO BISPO AUXILIAR

PROJETO "QUEREMOS VER JESUS" (2003-2007) - Depois da oração, na manhã do Sábado, coube a Dom Fernando Saburido, - também Presidente do Regional NE II da CNBB - fazer uma importante comunicação sobre o novo Projeto Nacional de Evangelização proposto pela CNBB, intitulado "Queremos Ver Jesus - Caminho, Verdade e Vida" (sigla QVJ). Disse que a CNBB não tem a intenção de que o Projeto seja "mais um projeto pastoral avulso, diferente das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, já aprovadas, mas uma concretização sua", uma forma de realizá-la ordenadamente. Para se chegar à sua proposta, afirmou, o Conselho Permanente da CNBB considerou especialmente os dados constatados nas últimas pesquisas do IBGE (2000) e do CERIS (2001), dados inclusos no livreto das Diretrizes (2003-2006), que indicam, a saber:
1º - Diminuição da porcentagem dos cristãos católicos; 2º - Aumento dos cristãos protestantes; e, 3º - Aumento dos declarados "sem religião".

URGÊNCIA DA MISSÃO - O Conselho Permanente - após Assembléia Geral da CNBB - destacou, disse Dom Fernando, "a urgência de uma missão p´ra valer, especialmente na periferia dos grandes centros urbanos". E ainda a necessidade de mudar-se a atitude dos católicos, acomodada, consumista e pouco missionária. Dom Fernando julgou como "um paliativo que, aliás, pode levar a uma acomodação" a interpretação dada pelo CERIS/DGAE de que a perda de católicos meramente nominais, se tornaria inexpressiva diante de um ganho em aumento de participação mais ativa dos fiéis na vida eclesial, na evangelização e no compromisso social.
Depois dos dois Projetos de Evangelização anteriores ("Rumo ao Novo Milênio" e o "Ser Igreja no Novo Milênio") pretende-se agora um projeto que vá mais fundo nos sentimentos e que consiga sensibilizar os cristãos para a dimensão missionária. Este novo será Projeto Nacional de Evangelização "Queremos Ver Jesus" (Jo 12, 21).

PROJETO QUER ENFRENTAR OS DESAFIOS - Como todos os participantes da Assembléia haviam recebido em suas pastas um folheto resumo do projeto - o mesmo que está no site da CNBB - Dom Fernando utilizou-se de transparências para acentuar algumas características mais fortes do mesmo, em especial, afirmou, "que se enfrente também a necessidade de superar uma tendência, muito marcante atualmente, que procura principalmente emoções espirituais ou a busca de Deus para conseguir benefícios pessoais"; essa tendência, afirmou, aparece freqüentemente na vivência dos grupos e é muito explorada nos meios de comunicação social, que divulgam sua existência e consolidam assim sua permanência.

CENTRALIDADE E MARCA DETERMINANTE - Disse ainda que no momento atual "torna-se imperiosa uma exigência para o evangelizador de oferecer respostas às perguntas existenciais, mas também de dar a cada batizado a fé dos Apóstolos que o leve a um processo profundo de conversão". Que a ação evangelizadora assuma prioritariamente a tarefa de levar as pessoas a fazerem uma experiência de fé, num encontro pessoal com o Cristo vivo. Esta é, aliás, a meta número um do Projeto QVJ: "Ter no encontro pessoal com Cristo vivo a centralidade e a tônica determinante de toda ação evangelizadora da Igreja". A profunda experiência do Cristo Vivo, conduzirá os cristãos - enquanto peregrinos em busca do Reino definitivo - à vivência de comunhão na Igreja. E nela viverá da Palavra, da Liturgia e sentirá motivações para a prática da Caridade pelas diversas formas de solidariedade. Assim, poderá o cristão enfrentar os desafios postos à ação evangelizadora nos âmbitos da dignidade da pessoa, à renovação da comunidade social e eclesial, e, em particular, na construção de uma sociedade justa e solidária, à luz dos valores do Evangelho.

EXPERIÊNCIA TOTALIZANTE - Terminou enfatizando o seguinte ponto do Projeto QVJ, tirado de seu objetivo específico: é urgente levar todo o povo de Deus ao encontro pessoal e transformador com a Pessoa de Jesus Cristo. *


DE VOLTA AOS GRUPOS PARA SEU DETALHAMENTO

A seguir o Pe. Cláudio levantou mais alguns questionamentos com o intuito de estimular um aprofundamento da decisão. E todos voltaram aos seus grupos Setoriais com as seguintes questões:
1. Qual o conteúdo mínimo que esta formação deve conter, servindo para todos e tendo em vista a evangelização missionária?
2. O que fazer para garantir que o conteúdo da formação não fique meramente nocional (cabeça), mas chegue ao coração (vida, atitudes)? Apresentar elementos concretos.
3. Que atividades devem acompanhar a formação, a fim de que esta seja alimento na experiência de vida comunitária?
4. O que é necessário fazer para que a formação seja dinamizadora da evangelização?
As respostas a esse detalhamento foram entregues, ao final da Assembléia, e ficaram sob a responsabilidade da Equipe de Coordenação para trabalhá-las posteriormente em conjunto com os Coordenadores Setoriais e ainda com a assessoria do Pe. Cláudio Sartori. O resultado do trabalho será devolvido em fevereiro aos participantes da Assembléia através das Coordenações Setoriais. Tudo o que foi produzido, também o detalhamento, estará na Página da Arquidiocese na Internet / Menu: Assembléia Pastoral 2003 e na Mensagem Católica.

AVALIAÇÃO DA ASSEMBLÉIA
QUAIS OS PONTOS MAIS IMPORTANTES DESTA ASSEMBLÉIA?

-A preparação prévia. Ter sido iniciada com o questionário sobre o encaminhamento das prioridades anteriores, avaliação essa feita nas bases Paroquiais e dos Setores. E esse resultado, condensado por Áreas com semelhança ou identidade sócio-cultural, apresentado à Assembléia no início dos trabalhos. Essa metodologia de ampla participação foi avaliada como muito positiva: deu um conhecimento mais amplo da realidade.
-O convívio muito bom. A experiência de comunhão.
-Na Assembléia, a participação integrada dos bispos, padres, diáconos, religiosos(as), e leigos agentes de pastoral; todos trabalhando juntos em cima dos desafios à evangelização, em busca de soluções.
-A participação da grande maioria dos párocos.
-A fala introdutória de Dom José, sobre as orientações pastorais do Papa João Paulo II, na Carta Apostólica "Novo Millennio Ineunte".
-A apresentação do Projeto Nacional de Evangelização da CNBB "Queremos Ver Jesus", por Dom Fernando.
-A forma de Trabalhos em Grupo por Setores Paroquiais ajuda muito na articulação.
-A definição de um desafio apenas, que será um eixo articulador de todas as ações pastorais.
-A preocupação majoritária, quase unânime, com a formação cristã missionária em todos os níveis. E com o engajamento dos católicos na missão.
-A discussão na escolha da prioridade pastoral.
-Participar das decisões que orientarão a nossa Igreja aqui.
-A participação esclarecedora do assessor Pe. Cláudio Sartori, sobre pontos básicos de uma Igreja toda missionária, voltada para a missão.
-A preocupação de oferecer formação para se evangelizar com uma articulação de Setores, Paróquias, Pastorais, enfim todas as forças vivas da Igreja, para se colocar Cristo nos corações, em oração diária.
-Foi um estímulo que fará com que as paróquias se movimentem juntas para a meta escolhida.
-A organização, a montagem e o trabalho da Equipe Central.
-Realização da Assembléia em dois dias, sexta-feira e sábado.

COMENTÁRIOS:

-Que as decisões tomadas não se percam, mas sejam postas em prática, acompanhadas e avaliadas.
-Agradeço a Deus por ter participado.
-A Assembléia nos mostrou a grande importância de nos articularmos, de vivermos em unidade, para crescermos espiritualmente e podermos assim realizar a Missão da Igreja.
-É preciso que o clero se comprometa em concretizar as opções tomadas na Assembléia, senão de nada adiantará fazer reuniões diocesanas.
-Deve-se cobrar a participação de todas as paróquias e padres sem exceção, pois alguns ainda faltaram e perderam a oportunidade de crescerem em conjunto.


COMENTÁRIO FINAL DO ASSESSOR

"Nossa meta - indicada pela Assembléia - é dinamizar a nossa evangelização: para solucionar o desafio da ignorância religiosa e da falta de compromisso dos católicos.
Para isso temos que ao menos chegar a organizar uma sólida e eficaz formação. Mas só conseguiremos chegar a isso se nos articularmos.
VAMOS PÔR A MÃO NA MASSA
Então, nós decidimos em Assembléia dois objetivos concretos: dinamizar a evangelização para fazer cristãos missionários em comunidades missionárias. E para isso, vamos nos articular, trabalhar juntos.
A Assembléia já chegou a muita coisa, mas precisa ainda detalhar os assuntos, qualificando-os, para que não fiquem tão genéricos que não sejam praticáveis.

PALAVRA FINAL DO ARCEBISPO

Para concluir a Assembléia, Dom José antecipou a oração final proclamando um forte e solene "Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo!". Fez uma referência à Encíclica "Ecclesiam Suam" (6/8/1964), do Papa Paulo VI, na qual o Santo Padre, depois de tantos trabalhos do Concílio Vaticano II e em sua implantação, constatava que ainda havia muito o que fazer (ES 68), e afirmou o Arcebispo, dirigindo-se à Assembléia: "Desejaria aplicar esta referência a este momento aqui. Trabalhamos e trabalhamos para descobrir que ainda há muito o que fazer."
Lembrou que a Carta Apostólica "Novo Millennio Ineunte" de João Paulo II, traça a caminhada quando afirma que "cada Igreja Particular deve concretizar as diretrizes genéricas de orientações superiores" (NMI 3 e 29).
Lembrou ainda que, por ocasião da segunda vinda do Papa ao Brasil, em Natal, ele declarou: "Queremos ver Jesus é o grito das multidões, hoje!" Dom José elogiou o Projeto QVJ e salientou o valor da Assembléia com tantos leigos - "e somos todos Igreja, igualmente"-mas, que desejava sublinhar naquele momento a importância do padre no desenvolvimento da evangelização. Afirmou ser esta a sua preocupação constante: formar padres para o povo de Deus. Investir esforços para a sua formação. Pois, disse, "estamos preocupados com essa multidão imensa de pessoas que foram batizadas por nós e que estão largadas por aí, batizadas mas não evangelizadas. Isto é um grave problema. Anunciar Jesus Cristo é uma afirmação genérica. Impõe-se levá-los ao conhecimento do Credo, aprofundá-lo e vivê-lo.
Continuou o Arcebispo: "Todos somos chamados a evangelizar, e devemos transmitir a todos as verdades em que acreditamos e também os princípios morais." E recordou uma palavra da Exortação Apostólica Pós-Sinodal sobre "a Evangelização no Mundo Contemporâneo" (1974), do Papa Paulo VI: "Não haverá nunca evangelização verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o Reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem anunciados" (EN 22).
"Sei que vamos todos sair desta Assembléia mais estimulados ao trabalho pastoral e missionário. Vamos aproveitar o tempo que Deus nos concede; a missão é imensa pois "Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade" (1Tm 2, 4), e a verdade é Jesus Cristo. Tarefa imensa para a Igreja inteira e para a nossa em particular."
E concluiu: "Agradeço a todos os participantes desta Assembléia, que foi maravilhosa, mas temos que passar o trabalho adiante, para os Setores e para as Paróquias. Assim a Assembléia continua, alarga-se. Isto é sinal de otimismo e esperança. E mais uma vez, rezemos: Glória ao Pai, e ao Filhos, e ao Espírito Santo!"

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