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Home > Assembléia Arquidiocesana de Pastoral 2004
ASSEMBLÉIA ARQUIDIOCESANA DE PASTORAL - 2004
 

PALAVRAS DE ABERTURA DA ASSEMBLÉIA ARQUIDIOCESANA DE PASTORAL

DOM JOSÉ CARDOSO SOBRINHO
Arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife

Nos passados dias 15 e 16 de outubro, realizou-se, na sede da Cúria Metropolitana, mais uma Assembléia Arquidiocesana de Pastoral, sob a presidência do Arcebispo Dom José Cardoso.
Em sua alocução de abertura, Dom José agradeceu a presença do Arcebispo emérito de Maceió, Dom Edvaldo Gonçalves do Amaral, que reside em Recife e tem oferecido uma preciosa colaboração nas atividades pastorais da Arquidiocese. Saudou, em seguida, todos os participantes da assembléia: sacerdotes, diáconos, religiosos e leigos, representantes de todos os setores e paróquias. Invocou especialmente a presença espiritual da Doutora da Igreja, Santa Teresa d'Ávila, em cuja festa litúrgica estava sendo inaugurada a assembléia.

Comentando o tema da assembléia - "QUEREMOS VER JESUS" - o Arcebispo pôs em evidência o nexo existente entre este tema e as diretrizes apresentadas pelo Papa João Paulo II a toda a Igreja na Carta Apostólica "NOVO MILLENNIO INEUNTE".
"O legado do grande jubileu do ano 2000 - diz o Papa na NMI - foi o encontro com Cristo". Já se percebe a grande coincidência com o nosso tema: "Queremos ver Jesus". Como aqueles peregrinos gregos que "queriam ver Jesus", assim também os homens do nosso tempo, mesmo sem se darem conta, desejam ver Jesus, pedem aos crentes de hoje que lhes falem de Cristo. Dirigindo-se especificamente aos sacerdotes, em sua segunda visita ao Brasil, o Santo Padre proferiu estas palavras: "Olhai à vossa volta! Não percebeis o imenso clamor de tantos homens e mulheres, de todas as condições, de todas as raças, de todas as idades que, hoje mais do que nunca, parecem dizer-nos, mesmo quando não formulam explicitamente esse desejo: queremos ver Jesus! (Jo 12, 21). Queremos ver Jesus na pessoa e na vida dos seus sacerdotes!...Queremos ver Jesus! Os homens têm necessidade de ver, em primeiro lugar, a santidade de Cristo refletida nos sacerdotes. O Brasil, o mundo inteiro, precisa de sacerdotes santos, fiéis a sua plena consagração a Deus, e totalmente entregues a sua missão peculiar. Sacerdotes cujo único objetivo seja cumprir a vontade do Pai e completar sua obra (Cf. Jô 4,34), dispostos a gastar sua vida, com uma caridade pastoral sem limites, na função de mediação que lhes é própria: levar os homens para Deus, e levar Deus aos homens. Sacerdotes que manifestem a imensa riqueza do amor de Deus, a única resposta às ânsias de infinito do coração humano, pela alegria com que lhe entregam o coração indiviso (Cf. 1Cor 7,32-34)".
Conforme o pensamento do Papa, expresso na Exortação Apostólica PASTORES DABO VOBIS, todo sacerdote é como que um sacramento da presença de Cristo; ou seja, ao encontrar um padre, todo fiel deve ter a impressão de estar encontrando o próprio Cristo.

No capítulo terceiro da NMI o Papa faz um apelo às Igrejas Particulares para aprofundarem suas programações pastorais, estabelecendo linhas programáticas concretas. É o que desejamos fazer nesta Assembléia. Surpreendendo o mundo inteiro, o Santo Padre faz uma referência explícita à vocação universal para a santidade: "Não hesito em afirmar que o horizonte para o qual deve tender todo o caminho pastoral é a santidade. Faz referência à doutrina do Concílio no capítulo 5 da Lumen Gentium: "Vocação Universal à santidade", e diz: "é hora de propor a todos esta medida alta, isto é, a santidade na vida cristã ordinária".

Uma boa parte da NMI é dedicada à exposição dos meios eficazes para alcançar a santidade, que são simultaneamente, meios de evangelização: a oração, os sacramentos da reconciliação e da Eucaristia, o primado da graça, a escuta e o anúncio da Palavra. Em menos de dois anos, foram promulgados três importantes documentos sobre a Eucaristia: a encíclica ECCLESIA DE EUCHARISTIA, a Instrução REDEMPTIONIS SACRAMENTUM e a Carta Apostólica MANE NOBISCUM DOMINE. Na programação pastoral da nossa Arquidiocese, devem ser estudados estes três documentos, particularmente na programação do "Ano Eucarístico" prescrito pela Papa para todas as dioceses do mundo.


CONSIDERAÇÕES INICIAIS E ENCAMINHAMENTOS
PE. JOSÉ ALBÉRICO

1a. Palavra
1. Relembrando:
1.1 A cada quatro anos, desde as últimas décadas, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), atenta aos sinais dos tempos e aos desafios que surgem, elabora as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). São diretrizes no sentido de metas, caminhos e objetivos a serem alcançados ao longo do quadriênio, no conjunto da ação global da Igreja. O que deseja a Igreja é, periodicamente, lançar um olhar sobre a realidade da vida do povo brasileiro, avaliar sua ação evangelizadora e formular seus projetos pastorais.

1.2 O Projeto Nacional de Evangelização - Queremos ver Jesus, Caminho, Verdade e Vida -para o período de 2004 a 2007, é a operacionalização das DGAE, 2003-2006 (documento 71 da CNBB), uma forma concreta de implementar o Objetivo Geral da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, servindo como setas que apontam caminhos, vindo iluminar as atividades evangelizadoras já existentes; trazendo instrumentos para que as realidades possam fazer parte do processo de Evangelização.

1.3 Para melhor descobrirmos a espiritualidade deste Projeto de Evangelização, temos que ir a seu nome: Queremos ver Jesus, Caminho, Verdade e Vida. É Jesus Cristo o foco maior e principal. Deste foco decorrerão:
a) O objetivo específico: "Anunciar o Evangelho de Jesus Cristo, sua pessoa, vida, morte e ressurreição para proporcionar o ENCONTRO PESSOAL com Cristo, na comunidade, e ajudar a cada pessoa na adesão a Ele e no compromisso de segui-lo, realizando a tarefa missionária por Ele confiada à Igreja".
b) Os objetivos operacionais:
1º)Ter no "encontro pessoal com Cristo vivo" a centralidade e a tônica de toda ação evangelizadora;
2º)Ganhar força profética e mística para a Igreja, na vida dos evangelizadores e dos destinatários da evangelização;
3º) Fazer dos serviços da Palavra, da Liturgia e da Caridade o horizonte permanente da ação evangelizadora;
4º) Enfrentar os desafios que o terceiro milênio põe à ação evangelizadora, de modo a garantir a promoção e a dignidade da pessoa, a renovação da comunidade e a participação na construção da sociedade justa e solidária.

2. As fases do Projeto:
1ª) fase (2004):
o Sensibilização;
o Levantamento e avaliação da situação real dos serviços eclesiais (PALAVRA, LITURGIA e CARIDADE), diante do objetivo especifico e dos quatro objetivos operacionais do Projeto.
o Definir prioridades de ação.

2ª) fase (2005-2006):
o Elaboração e execução de projetos;
o Formação básica, treinamento e formação na ação;
o Acompanhamento permanente, avaliação progressiva e correções de rumo.

3ª) fase (2007):
o Avaliação de resultados.

3. O que pretendemos desta Assembléia de Pastoral:
Esta Assembléia Arquidiocesana de Pastoral, neste final de 2004, tendo como objetivo específico a operacionalização do Projeto Nacional de Evangelização, Queremos Ver Jesus - Caminho, Verdade e Vida, sem deixar de lado os propósitos assumidos na última assembléia:
a) Fortalecer os Setores Paroquiais;
b) Animar as Paróquias para uma articulação interna e setorial mais consistente;
c) Ampliar a comunhão e a participação em todos os níveis e com todas as forças vivas existentes na Arquidiocese: Presbíteros e Diáconos, Religiosas e Religiosos, Pastorais, Movimentos, Associações, Comunidades de Vida, Serviços Eclesiais, etc.

Quanto à sensibilização parece que andamos bem. Tem havido, de vários modos, boa divulgação. Claro que precisamos continuar divulgando cada vez mais e de todas as maneiras possíveis, sobretudo não se restringir à divulgação do nome apenas, mas junto a ele o objetivo específico do Projeto. É bom ter bem claro que sensibilizar não é apenas fazer saber intelectualmente, é assumir o Projeto, como Igreja que somos.
O segundo passo da 1ª fase é importantíssimo. É com ele que queremos trabalhar nesta Assembléia. O que vamos fazer aqui é treinar o que devemos realizar em nossos Grupos, Movimentos, Pastorais, Comunidades e Paróquias.
Está na hora de fazermos o levantamento do que estamos fazendo para evangelizar e como estamos fazendo a nossa evangelização e aí termos a coragem e a disposição para avaliarmos o que fazemos e o como fazemos à luz do objetivo específico do Projeto.
Aqui na Assembléia, vamos nos reunir por Setores Paroquiais. Faremos catorze grupos. São catorze setores paroquiais que compõem nossa Arquidiocese com suas noventa e nove paróquias. Não podem faltar aqueles propósitos assumidos na última Assembléia: articulação, comunhão e formação. Nas nossas realidades pastorais vamos nos encontrar, como já nos encontramos, nos nossos Grupos, Movimentos, Pastorais, Conselhos, Setor..., querendo sempre avaliar o que e como fazemos diante do objetivo do Projeto, ou seja, se o que fazemos e como fazemos está nos ajudando, a nós e aos que recebem nossos serviços eclesiais, a um encontro pessoal com o Senhor Jesus? Ou se ainda há empecilhos, atrapalhos, por conta do nosso jeito de anunciar Jesus?

Pe. José Albérico Bezerra de Almeida
Presbítero da Arquidiocese de Olinda e Recife

PALAVRAS DE DOM FERNANDO SABURIDO

Durante a Assembléia Arquidiocesana, o Bispo Auxiliar, Dom Fernando Saburido, recordou a 39a Assembléia de Pastoral da CNBB-Regional NE2, realizada entre os dias 28/09 e 01/10/2004.
Lembrou a reflexão do Assessor - Pe. Valdeir dos Santos Goulart - sobre a importância de se elaborar uma Pastoral de Conjunto, visando:
- Renovação de Igreja, no Brasil, conforme a imagem do Vaticano II;
- Criação de meios e condições para tal renovação. A renovação é, antes de tudo, dom de Deus, garantido indefectivelmente à sua Igreja, e livre resposta do homem;
- O tempo para esta renovação: o mais rápido possível;
- A renovação deve ser continuada.

SOBRE O PROJETO "QUEREMOS VER JESUS"

O novo Projeto tem como finalidade central renovar a consciência da identidade e da missão da Igreja no Brasil, num contexto de rápida mudança, que questiona muitas das formas de existir e de agir das comunidades eclesiais e de cada cristão.
Portanto, ele se volta - como as primeiras comunidades, conforme o testemunho dos Atos dos Apóstolos - em primeiro lugar para a evangelização, procurando a docilidade ao Espírito e o discernimento dos sinais de sua vontade, que aponta os caminhos aos anunciadores do Evangelho de Jesus Cristo.
Ao mesmo tempo, cuida de manter viva e perseverante a fidelidade das comunidades eclesiais "ao ensinamento dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à Eucaristia e às orações".
Dom Fernando também expôs as repostas dos grupos à pergunta: "Que sugestões temos para qualificar melhor NOSSAS ATIVIDADES PASTORAIS, a fim de possibilitar às pessoas um encontro pessoal com Jesus Cristo?":

a) Realização das Santas Missões populares, com o envolvimento de toda paróquia.
b) Intercâmbio entre as pastorais, movimentos e serviços na paróquia e entre as paróquias.
c) Os padres priorizarem um tempo para as visitas.
d) Urgência de uma formação que use uma metodologia atrativa e que esteja alicerçada na realidade.
e) Buscar responder aos desafios apresentados pela urbanização.
f) Insistir na pastoral de conjunto.
g) Investir e fortalecer a criação de círculos bíblicos e de comunidades eclesiais de base.
h) Buscar vivenciar uma liturgia inculturada, reveladora de nossa ação profética.
i) Discutir melhor sobre a pastoral da acolhida, escuta e da visitação.
j) Redistribuir os agentes de pastoral a fim de atingir melhor as "áreas novas".
l) Valorização do trabalho da mulher.


DESTAQUES DA PESQUISA CERIS-CNBB-INP 1999 / 2002
PARA A ASSEMBLÉIA ARQUIDIOCESANA DE PASTORAL 2004

FONTE: CERIS - CENTRO DE ESTATÍSTICA RELIGIOSA E INVESTIGAÇÕES SOCIAIS
Por Gustavo Castro - da Equipe de Coordenação Pastoral

Introdução
1. Do Concílio Vaticano II: "Para levar a cabo esta (sua) missão, é dever da Igreja investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho; para que assim possa responder, de modo adaptado a cada geração, às eternas perguntas dos homens..." (GS 4); "... de modo que a Verdade revelada possa ser cada vez mais intimamente percebida, melhor compreendida e apresentada de um modo mais conveniente" (GS 44).
2. Da Carta Apostólica "Novo Millennio Ineunte", do Papa João Paulo II: "A Igreja, anos depois do Concílio Vaticano II é convidada a interrogar-se sobre sua renovação para assumir com novo impulso sua missão evangelizadora" (NMI 2).
3. O Papa João Paulo II quer uma Igreja missionária, eficaz, capaz de responder aos desafios de cada época. A "eficácia", uma palavra insistentemente utilizada pelo Papa na citada Exortação.
4. O Projeto Nacional de Evangelização "Queremos Ver Jesus - Caminho, Verdade e Vida" é diferente dos anteriores, voltados mais para a formação dos fiéis. O atual Projeto busca a "eficácia" da referida Exortação do Papa.
5. Por isso a CNBB parte de uma análise da realidade geral e de algumas Regiões Metropolitanas brasileiras: do Censo de 2000 do IBGE e de dados desta Pesquisa encomendada (1999-2002).
Não se apresentará aqui a Pesquisa CERIS em sua integralidade, por falta de tempo e também porque aqui para este momento bastarão alguns destaques, para trazer ao nosso espírito e aos nossos trabalhos alguns elementos presentes no dia a dia de nossas comunidades, mas que, muitas vezes, não aparecem como tal, porque diluídos num cotidiano tido como "conhecido".

I - A população católica brasileira - uma involução numérica: dados estatísticos.
(DGAE 2004-2006: 56ss)
- Em apenas 9 anos, houve uma diminuição da percentagem dos cristãos católicos, de 83,3% (1991) para 73,9% (2000); antes, igual queda percentual de dez pontos só ocorreu em 90 anos.
- Em igual tempo (1991-2000), os evangélicos cresceram de 9,0% (1991) para 15,6% (2000).
- Um detalhe: em 1994, pesquisa entre os eleitores deu uma média mais baixa de católicos em cidades como SP (65,2%), RJ (59,3%) e SSA (65,3%). E o CERIS no início da pesquisa obteve o baixo índice de 67% nas Regiões Metropolitanas.
Constata-se, pois, a evasão de católicos em 14%, entre o Censo 1980 e o de 2000.

II - DESTAQUES DO RESULTADO DA PESQUISA (predominaram classes C+D+E)
· Considera-se nesta Pesquisa CERIS a real e preocupante situação do povo católico em suas práticas, opiniões e motivações.
2. Para ajudar-nos no estudo de nossa realidade, apresentar-se-ão, aqui alguns destaques dos dados referentes particularmente à nossa Arquidiocese (RMR):
a) Apenas 13,1% dos católicos na RMR afirma que sua 1ª motivação de crer é "porque sente Deus próximo", ficando os demais percentuais distribuídos em respostas genéricas do tipo:
· realização de um sentido de vida e encontro de justiça e paz e harmonia pela religião......34,9%
· por influência do ambiente familiar e tradição.................................................................28,1%
· por devoção a um santo e a Maria................................................................................. 5,9%
· e outros com menos de.................................................................................................. 5,0%
b) opinião dos católicos sobre os sacramentos, na Arquidiocese:
· O Batismo:
- (1) é fundamental: apenas 38,4% dos católicos
- (2) é importante: 26,5%.....(1+2) Total: 64,9%
- (3) não vejo importância: ....32,3% dos católicos
- (4) é pouco importante: 2,9%....(3+4) Total: 35,2%
OBS: - Porto Alegre e Recife são as regiões brasileiras que apresentaram maior índice de católicos que não vêem importância do sacramento do Batismo.
· A Confissão:
- (1) é fundamental: apenas 22,5% dos católicos
- (2) é importante: 28,1%..................(1+2) Total: 50,6%
- (3) não vejo importância: ..........39,3% dos católicos
- (4) é pouco importante: 10,1%.......(3+4) Total: 49,4%
OBS: - Igualmente Porto Alegre e Recife são as regiões onde os católicos menos valorizam a Confissão sacramental.

c) Opinião dos católicos referente à conduta moral e orientação ético-religiosas dos católicos:
· Sexo antes do casamento: na AOR 52,4% são a favor (max. REC e POA); e 84% acha que a Igreja não deveria se envolver nisso, debater sim, orientar sim, mas sem impor sua visão...
· Métodos contraceptivos artificiais: 68,8% dos católicos da AOR são a favor; detalhe, apenas 11,9% admite que a Igreja deveria impor sua visão sobre o assunto.
· O divórcio: apesar da clareza de posição do Magistério, para a maioria dos católicos brasileiros (59,4%) a doutrina oficial não serve de norma moral. No Recife a situação é ainda pior, 69,9% é a favor do divórcio! E apenas 15,3% são contra o mesmo. Além disso, 82,0% entende que a Igreja Católica não deveria impor sua visão sobre o divórcio, nem se envolver no assunto.
· Sobre o 2º casamento (com cônjuge vivo): 71,0% é a favor do 2° casamento; apenas 15,3% dos arquidiocesanos é contra um 2° casamento; 85,8% acha que ela não deveria se envolver nisto, que ela poderia debater mas sem impor sua visão.Apenas 7,6% aceita a Igreja não admitir o 2º casamento.
· Celibato sacerdotal e religioso: opiniões divididas, 33,1% a favor e 34,5% contra, 16,8% indiferente.
· Estão divididas as opiniões sobre as posições da Igreja referentes à eutanásia, pena de morte, adultério e manipulação genética.
· E, 88,11% dos católicos da Arquidiocese não sabe porque um católico deixa a Igreja e migra para outras religiões.
Bastam esses dados de uma pesquisa muito ampla para já nos indicar que precisa-se mesmo parar para avaliar tudo o que se faz, o como se faz, e a eficácia de tudo.
Bibliografia: Coleção CERIS. Desafios do Catolicismo na Cidade - Pesquisa em Regiões Metropolitanas Brasileiras. Edit. Paulus, São Paulo, 2002.
Revista PUC-RIO. Estudos sobre a Pesquisa CERIS 2002.*

Os trabalhos da Assembléia foram organizados e divididos por Setores Paroquiais. A cada Setor foram propostos trabalhos conforme a seguinte orientação:
Coordenadores Setoriais: Reunir o Setor, "dividir em três sub-grupos conforme os modos de serviço eclesial (Palavra, Liturgia, Caridade). O que fazer: 1o. Momento: Levantar o que se faz, periodicidade, responsabilidade, etc. Explicitar o modo como se desenvolve o que se faz...
2o. Momento: Confrontar o que e o como diante do objeto específico do Projeto: "Anunciar o Evangelho de Jesus Cristo, sua Pessoa, vida morte e ressurreição para proporcionar o encontro pessoal com Cristo e ajudar a pessoa na adesão a Ele, na Comunidade, e no compromisso de segui-Lo na tarefa missionária por Ele confiada". EA 8-12; DGAE 69.93)
Ao término dos trabalhos, os resultados dos 14 Setores foram sintetizados para viabilizar sua apresentação à Plenária da Assembléia, cujo teor aqui se transcreve:

Após a apresentação, o Assessor comentou resultados e sugeriu encaminhamentos para dar seqüência à Assembléia.

SÍNTESE DOS TRABALHOS NOS SETORES

MINISTÉRIO DA PALAVRA
O que fazemos

Formação:
* Círculos Bíblicos
* Curso Bíblico
* Escola Teológica
* Escolas da Fé
* Mês da Bíblia
* Caminhada bíblica
* Cursos de evangelização
* Encontros de formação para missionários e animadores
* Formação permanente de catequistas
* Encontros com os subsídios do PQVJ da CNBB

Catequese:
* Catecumenato de adultos
* Catequese sacramental
* Encenações
* Encontros de pais e padrinhos
* Batismo explicado
* Catequese exequial

Evangelização:
* De casa em casa
* Resgatar os batizados que não participam da Igreja
* Visitas hospitalares
* Campanha da fraternidade em família
* Mês de maio
* Programas radiofônicos
* Terço dos homens, dos jovens e em família
* Ofício de Nossa Senhora
* Semana Santa
* Culto ecumênico

MINISTÉRIO DA CARIDADE
O que fazemos
Assistência à criança:
* Creches (Pró-criança)
* Enquanto as mães trabalham
Natal dos vicentinos: (cestas básicas)
Formação a crianças e jovens: (centros comunitários de formação profissionalizante)
Participação nos Conselhos:
* Educação / * Tutelar / * Paz
Assistência jurídica: (pequenas causas)
Assistência à família dos presidiários:
Pastoral da sobriedade: (Alcoólicos Anônimos - Fazenda Esperança)
Distribuição: Kits sopa e enxovais para crianças
Alfabetização de adultos:
Medicina Alternativa:
Apoio aos hansenianos:
Participação no Comitê da Cidadania:
* Nas periferias
* Fóruns de discussão para o resgate da cidadania, ética e evangelização

MINISTÉRIO DA LITURGIA
O que fazemos
Celebrações: Eucaristia, da Palavra, dos Sacramentos, de Nossa Senhora, dos Santos, das Exéquias
Formação: Leitores, salmistas, comentaristas, cantores, acólitos, ministros extraordinários da Comunhão
Liturgia inculturada: Adoração ao Santíssimo: (fora da Missa)

PAINEL DE EXPERIÊNCIAS PASTORAIS

I - Paróquia de São Lourenço Mártir
Na experiência da Paróquia foram destacados o Ministério da Visitação, a Pastoral da Juventude com a implantação do Encontro de Jovens com Cristo e o Encontro anual da Juventude (realizado no domingo dedicado à festa da Santíssima Trindade).
A partir dessas iniciativas a pastoral da juventude conta com:
11 grupos de jovens
Legião de Maria
Movimento Eucarístico Jovem (MEJ)
Juventude Missionária

II - Setor Olinda - expositor Padre Lino Rodrigues Duarte
Composto pelas Paróquias de:
Nossa Senhora de Fátima - Bairro Novo, São José - Casa Caiada, Nossa Senhora de Guadalupe - Guadalupe, São Lucas - Ouro Preto, Assunção de Maria e São Francisco - Rio Doce, São Pedro Mártir, Nossa Senhora Aparecida - Janga e Nossa Senhora do Ó - Pau Amarelo.
O primeiro envolvimento com o Projeto foi a participação dos padres do Setor no Encontro promovido pelo Regional NE II no dia 18 de março.
1º encontro do Setor
Aconteceu no dia 17 de abril onde o Padre José Albérico apresentou o Projeto Nacional de Evangelização "Queremos ver Jesus - Caminho, Verdade e Vida" para aproximadamente 80 (oitenta) pessoas.
2º encontro do Setor
Com o tema "A Liturgia à luz do Projeto <<Queremos ver Jesus - Caminho, Verdade e Vida>>", aconteceu no dia 19 de junho no salão da Paróquia de Nossa Senhora do Ó em Pau Amarelo e contou com a presença de 280 fiéis.
Para orientação dos trabalhos destacamos e refletimos cada item do "Ministério da Liturgia" (cf. CNBB, DGAE - Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, 2003-2006, doc 71, nn 26-36).
Para motivar o trabalho dos grupos, criamos alguns questionamentos a partir da aclamação do povo: "Ele está no meio de nós".
a - Será que esta afirmação realmente acontece?
b - Nas nossas liturgias temos a certeza da presença de Jesus?
c - As nossas liturgias possibilitam as pessoas ver Jesus Cristo?
Na conclusão do trabalho dos grupos, sintetizamos dois pontos:

1º - uma satisfação:
O grande interesse das pessoas pelo Projeto Nacional de Evangelização.

2º - Algumas preocupações:
a - As coisas que são inventadas pelas pessoas.
b - O que se faz para tornar a liturgia mais animada.
c - O chamado "ministério de música" (canta bem, toca bem, chama a atenção e canta sozinho), assembléia celebrante não participa dos cânticos, som ensurdecedor.
d - O padre que é jeitoso, é ele que aparece.
e - Tudo é visto menos Jesus Cristo.
f - Tudo aparece menos Jesus Cristo.

Esse encontro também revelou uma realidade:
Na Missa dominical, a Igreja está presente, visível, mas não se percebe o pessoal evangelizado.
Essa conclusão foi apresentada à coordenação do Setor, resultando no encontro de formação para as equipes paroquiais de liturgia, marcado para o dia 06 de novembro.
Outras iniciativas:
O encontro dos componentes do Apostolado da Oração na Paróquia Nossa Senhora de Fátima.
O encontro da Catequese na Academia, onde o Bispo auxiliar Dom Fernando Saburido, apresentou o Projeto para aproximadamente 700 (setecentas) pessoas.

Essas iniciativas originaram a seguinte pergunta:
Quais os resultados desses esforços ao nível de Setor?
a - A Coordenação tem procurado incentivar e proporcionar encontros de formação, para atender os anseios dos fiéis.
b - Está marcada para o final de novembro uma reunião entre a coordenação, os padres e os representantes das paróquias.
Na última reunião recebemos o seguinte resultado:

1º Quais os desdobramentos do Projeto nas paróquias?
Paróquia de Rio Doce - formada comissão para animar o Projeto.
Plano de ação já está elaborado.
Paróquia de Guadalupe - realizou curso sobre o Projeto
Catequese do Crisma está sendo realizada a luz do Projeto.
Paróquia de Casa Caiada - curso sobre o Projeto
Estudo e reflexão sobre o Projeto em todas as pastorais
Avaliação semanal.
Paróquia Nossa Senhora de Fátima - em Assembléia paroquial foi criado o Projeto Vila Esperança.
Situando:
Vila Esperança é uma área pobre da Paróquia, difícil e problemática, com alto índice de violência e de miséria.
Em que consiste:
As pastorais assumiram o compromisso a partir da Assembléia, além das atividades normais, participar do trabalho missionário na área do Projeto Vila Esperança.
Apesar das dificuldades a Pastoral da Saúde, a Pastoral Familiar e a Pastoral da Oração realizaram alguns encontros para sensibilização do Projeto.
Finalmente, o Setor tem procurado insistir principalmente na Pastoral de Conjunto, por acreditar que o ponto fraco, a fragilidade do trabalho está exatamente no isolamento, onde cada um faz do seu jeito, no seu canto, da maneira que é mais bonita ou mais interessante.
Portanto à medida que as pessoas vão entendendo, também vão assumindo o Projeto que tem como meta - "a santidade, sinônimo da plena realização humana" (cf. CNBB - Projeto Nacional de Evangelização 2004-2007, doc. 72, n 1.1, p. 15) e como desafio - "fazer a comunidade eclesial crescer na comunhão, alimentada pela Palavra de Deus, pela oração e pelos sacramentos, tendo em vista a superação de todo individualismo, o enfraquecimento da família e a vida comunitária"(ibdem 1.2).
É assim que estamos caminhando no Setor Olinda.

III - Pastoral Universitária - apresentação Padre Jaime
Dentro da Pastoral Urbana realizam-se alguns trabalhos pastorais fora da estrutura paroquial, como é o caso da Pastoral da Universidade que está ligada a ASBEC - Associação Brasileira das Escolas Superiores Católicas, que tem como presidente o Padre Peters, Reitor da UNICAP e participa no Conselho Pastoral do Regional NE II.
A pastoral da UNICAP é uma das mais desenvolvidas entre várias faculdades, conta com um corpo de funcionários para realização dos trabalhos pastorais com os alunos.
No eixo celebrativo oferece diariamente às 18 horas, uma Missa com bastante esmero litúrgico. A equipe reúne-se às terças-feiras para aprofundar o estudo teórico da Liturgia.
Na dimensão da caridade, além do envolvimento com a Campanha da Fraternidade destacaria o voluntariado, onde cerca de quarenta alunos colocaram-se a serviço dos mais pobres, exercitando um olhar de compaixão para serem profissionais com maior senso de justiça.
Trabalham, sobretudo com a música junto às crianças portadoras de câncer, ou nos grupos de ronda noturna, atendendo os moradores de rua.
Acompanhamento do mutirão de construção de casas populares, em parceria com a Prefeitura.
O Projeto "Queremos ver Jesus - Caminho, Verdade e Vida" e a UNICAP
Sempre procuramos seguir as orientações da CNBB através dos vários documentos, os quais estudamos nas reuniões das equipes às segundas-feiras à tarde.
Últimos documentos estudados:
69 - Exigências Evangelizadoras e Éticas de Superação da Miséria e da Fome.
71 - Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora 2003-2006.
72 - Projeto Nacional de Evangelização (2004-2007).
Portanto tratamos primeiro da formação dos agentes para que através das atividades desenvolvidas possam transmitir a mensagem do Projeto "Queremos ver Jesus - Caminho, Verdade e Vida", que é um dom da Igreja no Brasil.

ENCAMINHAMENTOS FINAIS

1º) Que o centro da Evangelização seja Jesus Cris-to;
2º) Que todo trabalho de evangelização deve pro-porcionar ao Evangelizando um encontro pesso-al com Jesus Cristo, vivo;
3º) Que evangelizar, na Igreja do Brasil, de 2004 a 2007, só se faça no espírito do Projeto Nacio-nal de Evangelização - Queremos ver Jesus, Caminho, Verdade e Vida ;
4º) Que precisamos, ainda, continuar divulgando o Projeto, não apenas o seu nome, mas o seu espírito, junto às pessoas que freqüentam nossas igrejas;
5º) Que este Projeto não está nos pedindo mais trabalho, nem muito menos, mais reuniões;
6º) Que se faz necessário avaliar, com coragem e espírito de conversão, o que fazemos e como fazemos à luz do objetivo específico do Projeto;
7º) Que a avaliação, corajosa e com espírito de conversão, leve-nos a definir uma prioridade para a ação;
8º) Que definida a prioridade, não prioridades, devemos descobrir pistas de ação simples que realmente estejam ao nosso alcance;
9º) Que o trabalho evangelizador leve a formar discípulos e discípulas de Jesus, que se descobrirão enviados e enviadas, pelo próprio Jesus, à missão;
10º) Que vamos continuar, agora com ajuda do Projeto, alimentando a espiritualidade da Comunhão em todos os níveis, tanto interna quanto externamente, desejando que "a Igreja seja a casa e escola da comunhão".

Pe. José Albérico Bezerra de Almeida
Presbítero da Arquidiocese de Olinda e Recife

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